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Diabetes

O que é o diabetes?
O diabetes mellitus é uma doença caracterizada por uma deficiência de insulina causando um aumento da glicose. A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas, um órgão localizado no abdome logo atrás do estômago. A ação principal da insulina é levar a glicose do sangue para dentro das células. Quando existe uma diminuição da produção ou um comprometimento da ação da insulina, a glicose acumula no sangue e começa a provocar os sintomas do diabetes.

O diabetes é muito freqüente?
Hoje, estima-se que 7,6% da população tenha diabetes e, o que é mais preocupante, quase a metade não sabe que possui a doença. No mundo inteiro, há pelo menos 130 milhões de diabéticos e a expectativa é que em 2025 este número chegue a 300 milhões. Este aumento está relacionado ao maior número de pessoas com excesso de peso e obesidade, ao crescente sedentarismo, à maior expectativa de vida da população em geral e à maior sobrevida dos pacientes diabéticos.

Quais são os tipos de diabetes?
Os principais tipos de diabetes são o tipo 1, o tipo 2 e o diabetes gestacional. O diabetes tipo 1 aparece geralmente antes dos 30 anos e existe uma deficiência quase completa de insulina. Anticorpos do próprio organismo promovem uma destruição progressiva das células do pâncreas. Representa aproximadamente 10% dos diabéticos. O diabetes tipo 2 aparece geralmente após os 40 anos, tem forte fator hereditário e freqüentemente está associado à obesidade e ao sedentarismo. Neste tipo, a insulina pode estar até aumentada, mas não funciona adequadamente: é o que chamamos de resistência à insulina. Representa aproximadamente 90% dos casos de diabetes. O diabetes gestacional é uma situação transitória que ocorre apenas durante o período da gestação devido aos hormônios da gravidez que aumentam a glicose e diminuem a ação da insulina. Na maioria dos casos, a glicose normaliza após o parto.

Quais são os sintomas do diabetes?
O excesso da glicose no sangue e na urina provocam os principais sintomas do diabetes: perda de peso, beber muita água e urinar muito. No diabetes tipo 1, estes sintomas aparecem de maneira abrupta e intensa podendo até chegar ao coma se não tratado rapidamente. No diabetes tipo 2, os sintomas ocorrem de maneira lenta. Outros sintomas freqüentes são visão turva, tonturas, fraqueza, impotência e dormências.

Como é feito o diagnóstico do diabetes?
Através da dosagem de glicose pelo exame de sangue. Uma glicose de jejum maior que 126mg% ou uma glicose ao acaso acima de 200mg% confirmam o diagnóstico de diabetes.

Como é o tratamento do diabetes?
O tratamento do diabetes se apóia em quatro pilares principais:

- Dieta
- Exercício físico
- Medicamentos
- Educação do paciente.

Na dieta é recomendável uma alimentação balanceada evitando os açúcares de absorção rápida. Os exercícios físicos ajudam a diminuir a glicose e melhoram a ação da insulina nas células. Os medicamentos, quando necessários, podem estimular a produção de insulina pelo pâncreas, melhorar a ação da insulina já existente ou ainda diminuir a absorção intestinal da glicose. Nos diabéticos tipo 1, é necessária a aplicação de injeções de insulina tendo em vista que a produção de insulina pelo pâncreas está muito reduzida. E, por último, a educação do paciente, que envolve os cuidados que o diabético deve aprender em relação ao diabetes, sobretudo no que se refere à automonitorização, ou seja, o paciente aprender a medir a sua glicose através de aparelhos portáteis e ajustar a dose de seu medicamento conforme as orientações que recebeu do seu médico.

E os adoçantes? São seguros para a saúde?
Os adoçantes são alternativas valiosas para o controle da glicose, pois permitem uma substituição do açúcar ao invés de uma simples restrição e ainda contribuem para a perda de peso em pacientes obesos. Os adoçantes, durante vários anos, têm demonstrado sua grande segurança e seu uso hoje é também permitido para crianças e alguns tipos até para gestantes. Os vários tipos e combinações mais modernas de adoçantes se adaptam às variações individuais de paladar.

Os produtos diet podem ser usados por diabéticos?
Os lançamentos da indústria alimentícia de versões com isenção de açúcar vêm crescendo muito não só no número de alternativas, mas principalmente na qualidade e paladar dos produtos. Este fato, evidentemente, contribui para o tratamento (mais nítido nos casos de diabetes em crianças) permitindo um estilo de alimentação com menos restrições. É importante, porém, que seja avaliado com o médico quais os produtos mais recomendados para o seu caso porque os termos diet e light não se referem obrigatoriamente à restrição de açúcar e sim aos critérios para a modificação daquele alimento. Desta forma, podemos ter produtos diet ou light, que apesar da modificação em sua composição, ainda continuam tendo açúcar em sua composição.

Qual a diferença entre diet e light?
O termo Diet significa que o alimento foi modificado para atender a um tipo específico de dieta como, por exemplo, a substituição do açúcar pelo adoçante para os diabéticos e a retirada da lactose do leite para pessoas alérgicas à substância. Portanto, o fato de ser diet não significa que não contém açúcar. O termo Light indica que o produto tem menos calorias que o produto tradicional como, por exemplo, a maionese light. O fato de ser light também não indica necessariamente que seja isento de açúcar. A maioria dos alimentos light conseguiu a redução das calorias através da substituição do açúcar pelo adoçante e, portanto, é diet e light ao mesmo tempo, como é o caso dos refrigerantes. O importante é acostumar a ler os rótulos dos produtos e adequar as compras ao plano alimentar prescrito pelo médico ou nutricionista.

Qual é a relação insulina/carboidrato?
Ela varia de acordo com a pessoa para pessoa. Geralmente é definida pelo médico e ajustada conforme a monitorização glicêmica. Como regra geral, a relação insulina/carboidrato de adultos é de 1 unidade de insulina para cada 15g de carboidratos, portanto 1UI/15g. Já em crianças, esta relação fica em torno de 1UI / 20 a 30g CHO. Estes resultados podem variar muito dependendo do peso corporal, resistência à insulina, atividade física, uso de medicamentos e até mesmo do horário do dia.

Todos os diabéticos devem aprender a contagem de carboidratos?
Não, há pacientes que se adaptam melhor às dietas tradicionais. A contagem de carboidratos necessita de alguns pré-requisitos como, por exemplo, saber ler e escrever, ter noções de medidas caseiras, ter disciplina e principalmente condições de realizar a monitorização glicêmica domiciliar. Por isso, a adesão à terapia nutricional depende em grande parte da correta seleção dos pacientes.

Por que só nos últimos anos a contagem de carboidratos vem sendo mais utilizada?
Como a contagem de carboidratos está relacionada a um controle mais intensivo da glicemia, esta técnica ganhou mais impulso após os grandes estudos multicêntricos, que comprovaram os benefícios do controle da glicemia na prevenção das complicações crônicas. Em 1994, a American Diabetes Association destacou que a quantidade de carboidrato deve ser individualizada e que o foco da terapia nutricional deve ser a quantidade total e não o tipo de carboidrato. Em 2001, a Sociedade Brasileira de Diabetes lançou o Manual de Contagem de Carboidratos propondo as estratégias para sua aplicação e critérios de seleção dos pacientes. Além disso, o lançamento no mercado de canetas aplicadoras de insulina, insulinas de ação ultra-rápida e mais recentemente da insulina glargina melhoraram sensivelmente as condições para a utilização deste método.

O que é um glicosímetro?
É um aparelho portátil, que mede de maneira confiável a glicose do paciente a partir de uma gota de sangue extraída da ponta do dedo com um aparelho chamado lancetador. A gota de sangue é colocada sobre uma fita reagente descartável e o aparelho calcula em poucos segundos a glicose daquele momento. O glicosímetro é muito útil para que o paciente possa acompanhar a sua glicose em horários diferentes do dia e em situações especiais como febre, doenças, estresse e gravidez, quando os exames devem ser mais freqüentes. É um método prático, rápido, de custo razoável e fácil aprendizagem. Tem boa relação com a glicemia plasmática apresentando variação aceitável e é o método mais indicado no mundo inteiro para avaliação instantânea.

O que é um tratamento intensivo de insulina?
O tratamento intensivo geralmente se refere ao uso de múltiplas picadas de insulina ou uso da bomba de insulina com monitorização freqüente das glicemias capilares para o tratamento do diabético tipo 1. Estudos de grande relevância mundial mostraram que o tratamento intensivo diminui a incidência de complicações em diabéticos e, portanto, tem sido cada vez mais utilizado. O lançamento da insulina glargina e das insulinas ultra-rápidas sobretudo, com suas versões em canetas de aplicação contribuíram para a popularização desta forma de tratamento.

O que é um holter de glicose?
É um aparelho que fornece um perfil contínuo de glicemias por um período de até 72 horas. Geralmente é colocado e retirado em laboratório e o sensor fica localizado no tecido subcutâneo. Mede continuamente a glicemia a cada 10 segundos e registra um valor glicêmico médio a cada 5 minutos.São realizadas, portanto, 288 medidas por dia.
As principais indicações para este exame são diabéticos mal controlados, diabetes instável, diabéticos tipo 1 gestantes ou que pretendem engravidar, diabetes gestacional e, diabéticos em diálise renal ou recém-transplantados.

Quais são as complicações do diabetes?
A glicose alta persistente pode provocar, com o passar dos anos, problemas em vários órgãos do corpo. As principais complicações atingem a circulação, os rins, os olhos e os nervos. O aparecimento destas complicações nos diabéticos pode ser evitado através de um controle rigoroso e um tratamento adequado da glicose.

que é o Pé Diabético?
O chamado Pé Diabético é uma complicação crônica do diabetes mellitus. Apresenta perda de sensibilidade e/ou deficiência de irrigação sanguínea podendo ter deformidades, ulcerações e infecções que, em alguns casos, evoluem para a necessidade de amputação. É uma das complicações mais devastadoras do diabetes, responsável por 85% das amputações dos membros inferiores e 50% das internações hospitalares de diabéticos.

Como prevenir o Pé Diabético?
A melhor forma de prevenir as complicações crônicas é o bom controle glicêmico. Especificamente no caso dos pés, os pacientes diabéticos devem ficar atentos a alguma orientações como:

- examinar os pés frequentemente, com ajuda de espelho;
- avisar o médico se tiver calos, rachaduras, alterações de cor ou úlceras;
- vestir sempre meias limpas;
- usar sapatos que não apertem e sempre com meias;
- nunca andar descalço mesmo em casa;
- lavar os pés diariamente, com água morna e sabão neutro evitando água quente;
- secar bem os pés;
- hidratar os pés com creme;
- cortar as unhas de forma reta, horizontalmente;
- não remover calos, nem procurar corrigir unhas encravadas;
- procurar tratamento profissional.


Fonte:http://www.endocrinologia.com.br
Dr. Geraldo Santana - Médico endocrinologista
Dr. William Pedrosa - Médico endocrinologista
Caroline Fernandes - Nutricionista





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